
Um espaço para falar das coisas mais patéticas às mais sérias, das mais alegres às mais tristes, das mais doces às mais amargas... Aqui as palavras ganham corpo e aliviam a alma, neste lusco fusco que é a vida!
Sobre a je...
- LuscoFusco
- Mim ser assim, assado e cozido (frito é que não, faz mal ao colesterol!)
Ninguém consegue viver assim... Queria sorrir com gosto! Queria sentir-me feliz! Já chega, Deus, Ok? Já chega!
Mana querida do meu coração, não te vai acontecer nada... Não vai! Não vai, porque eu não deixo e porque estamos todos a criar uma corrente de energia, aqui em baixo, para ti. Além disso temos um anjo lá em cima, lembras-te?
Estou contigo até ao fim, incondicionalmente, mana. Já te disse que gosto muito de ti? Já? Força!
com as gordurinhas Em vez da esperada boa-nova ouvi a frase mais dura e cruel dos meus 25 anos de existência… “A mana perdeu o bebé, o coração do Tiago deixou de bater, a mana está em Viseu à nossa espera. Anda para casa, Joana, depressa…” Esta foi a sequência de frases que ouvi da minha pobre mãe.
Ainda sei de cor cada palavra deste telefonema. Ainda me lembro do meu café deixado a meio e de me ter precipitado pela rua a chorar que nem uma louca, perante o olhar incrédulo das pessoas que se iam cruzando comigo… Tenho bem presente as três horas de viagem de Setúbal a Viseu, agarrada ao João (que nunca me deixou cair), tenho na memória cada parede daquela Urgência de obstetrícia do Hospital de Viseu e da forma bruta como agarrei a pobre enfermeira em peso, ordenando-lhe que indicasse onde estava a minha irmã. Disse-lhe num tom de voz áspero e duro que não sairia dali enquanto não a visse, que tinha feito três horas de viagem e que não aceitava nenhuma justificação que me impedisse de lhe dar um beijo. A imagem dela sentada num banquinho agarrada à barriga, ao lado da cama, ainda hoje não me sai da cabeça… A única coisa que fui capaz de fazer foi mesmo dar-lhe um beijo com os olhos bem cheios de lágrimas e sair porta fora com aquela túnica verde (que me tinham obrigado a vestir) e com uma dor no corpo que me pesava na alma e me travava os passos…
Até esta altura, não fazia ideia de que a minha mana teria de passar pelo processo normal de qualquer grávida. Não bastava o facto de o Tiago estar dentro dela sem vida, como ainda teria a pobrezinha de esperar pela dilatação e atravessar um parto normal… Foram mais de 24 horas de uma espera angustiante! A determinada altura, o meu medo revelou-se todo por ela, por medo que lhe acontecesse alguma coisa, que não aguentasse… Mas aguentou. A minha mana portou-se como uma verdadeira heroína! O meu cunhado e a minha mãe tiveram com a minha irmã o tempo todo… mesmo na hora do parto. Só que o Tiago nasceu sem vida, pobrezinho… Ninguém o viu. Mas todos sabemos o quanto era nosso, o quanto era bonito, o quanto tinha os nossos traços… Ah e os olhos verdes do avô! Eu sei que tinha os olhos verdes do avô…
Hoje, passados três meses sei que temos feito frente a esta dor permanente que nos quer destruir mas que não consegue. Hoje, sei que o irmãozinho ou irmãzinha do Tiago vai chegar na hora certa e que nós vamos estar aqui para o receber sem medos. Apesar da enorme esperança que vive no meu coração, continua aquela amargura no peito, aquela dor que corrói e destrói vezes sem conta, sempre presente, sempre aqui. O meu sobrinho Tiago escolheu o Céu como morada e deixou-nos a chorar a sua ausência. Sinto saudade… Este não é um dia fácil. Se o Tiago estivesse neste mundo, hoje faria três meses de vida. Como não está, faz três meses que choramos e sentimos a sua falta… Não era para ser assim…
Hoje, resolvi mandar mensagens a amigas minhas com quem não estou há séculos!
Hoje, decidi que ia ao banco apanhar uma grande seca só para pedir uma informação.
Hoje, estou cheia de trabalho!
Hoje, estou cheia de vontade de ir ao ginásio!
Hoje, estou com vontade de "matar" alguém se me falarem em praia!
Hoje, tenho que ir marcar as minhas análises.
Hoje, sinto umas saudades incríveis da minha mana!
Hoje, quero ter um dia produtivo!
Hoje, estou sem tempo para escrever mais...
Porque é que o dia só tem 24 horas? Alguém me explica?! Não dá para nada! E eu queria fazer tanta coisa... Ah!E "Viva a España!"
Estou nervosa
Estou cansada
Estou angustiada
Estou com a neura
Estou sem apetite
Estou com saudades
Estou sem nada de especial para dizer
Estou com vontade que o amanhã chegue rápido...
Bahhhhhhhhhhh.... Apetece-me gritar ao mundo! Já gritei! Fim de post!
Hoje, faltam-me palavras. Nada do que escreva será capaz de retratar fielmente a dor e a raiva que tenho no meu coração. Apetece-me gritar e pedir que o mundo pare! Que eu pare! Que adormeça! Que me adormeça o sofrimento num sono profundo e reconfortante....
Como se isto tivesse algum mísero sentido! Se essa tal Joana, que era mãe, e que era desarrumada, existiu; então devia estar cá para eu lhe dar umas chapadas bem dadas, para aprender a não manchar um nome tão bonito como este! Ah e mais! A Joana D´Arc esforçou-se tanto para dar a todas as Joanas o valor que merecemos e esta outra Joana (a da casa) estragou tudo! Não é justo, de facto! Porque é que não é a casa da Felismina, da Maria, da Sílvia! Sei lá! Tinha de ser a casa da mãe Joana! Desculpem lá o meu desabafo mas... Não há pachorra! Prometo que um dos meus posts futuros será também sobre aquela musiquinha irritante que também envolve o meu belo nome, e que me levou a atirar uma pedra da calçada à cabeça de um coleguinha do ciclo, que achou magnífico chatear-me o juízo com a dita cançãozinha! Sim, essa mesmo, a da Joana e da papa! Por hoje, fico por aqui que o testamento já vai longo... Até estou a pensar colocar na net uma petição on-line (cada vez mais na moda) para acabar de vez com esta expressãozinha ridícula e profundamente irritante sobre a casa dessa tal mãe Joana! É que estas coisas de "brincar" com os nomes têm muito que se lhe diga! Ok, admito, se me chamasse Abreu a coisa era bem pior... Não acham?! (riso profundamente desconcertante)
(c) Hora do Lusco Fusco
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